segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Sobre BAMBU







O Bambu traz em si a energia e o simbolismo do "Tao em estado latente", pois o seu interior é vazio e o Vazio representa o Zero ou o Absoluto. Num bambuzal, todos os ramos nascem da mesma raiz, simbolizando que todos os seres nascem da mesma origem. O caule de Achillea foi determinado pelo Rei Wen; “a Achillea é uma planta medicinal que traz em si uma energia extremamente Yang; seus efeitos são os de vasodilatação, anti-reumático, analgésico e desintoxicante" e "A escolha da Achillea (...) se deve principalmente , por seu caule reto, principalmente, à sua energia intensamente solar e luminosa, adequada ao oráculo, já que este é um veículo de iluminação."



 I Ching, A Alquimia dos números , Wu Jyh Cherng, ed Mauad.






O bambu é, no Japão, assim como o pinheiro e a ameixeira, uma das três plantas de bom augúrio.

Sobretudo, é um dos elementos principais da pintura da época Sung (a oitava das grandes dinastias chinesas), fortemente influenciada pelo budismo tch’an. A pintura do bambu é mais do que uma arte: é um exercício espiritual. A retidão inigualável do bambu, a perfeição de seu élan em direção ao céu, o espaço vazio entre seus nós – imagem da shunyata, da vacuidade do coração – simbolizam, para o budista, e mesmo para o taoista, os caracteres e o alvo de sua maneira de agir interior. Sem esquecer a evocação de seu farfalhar sussurrante que foi, para alguns mestres, o sinal da iluminação. A pintura de bambu tem uma relação muito próxima com a caligrafia: é uma verdadeira linguagem, mas à qual somente tem acesso a percepção intuitiva.




Outros aspectos muito diversos: o bambu é utilizado para afugentar as más influências; menos, talvez, por razões simbólicas que em função dos estalidos secos que sua madeira produz quando posta no fogo. O bosque cerrado de bambus, obstáculo clássico, representa muitas vezes na iconografia a selva dos pecados que só o tigre, símbolo da potência espiritual do budismo, pode atravessar. Um texto dos T’ang identifica o bambu com a serpente, na qual, segundo parece, ele se transforma facilmente (a acepção é aparentemente benéfica). A dualidade do bambu macho e do bambu fêmea é um símbolo de afeição, da união conjugal. Encontra-se, em diversos textos, a menção de bambus com três e com nove nós: esses objetos evocam essencialmente um simbolismo numérico (BELT, CHOO, GROC).






Entre os bamuns e os bamilekes (povos do sudoeste dos Camarões), um pedaço de bambu chamado guis (o riso) é um símbolo da alegria, da alegria simples de viver, sem doença e sem preocupação.






Tanto na África equatorial como na América, nas mesmas latitudes, a lasca de um bambu endurecida ao fogo desempenha um papel civilizador análogo ao da lasca de sílex ou de uma obsidiana (espécie de lava) nas culturas líticas e, principalmente, no México. É instrumento sacrificial e serve em particular aos medicine-men (curandeiros) que efetuam a circuncisão ritual.








É ponta de flecha de guerra, faca e, também, instrumento com o qual se obtém o fogo, entre os nômades ianomanes do sul da Venezuela. Seus vizinhos, os iecuanas, aparentados com os caraíbas, utilizavam-no c0omo instrumento de música sagrada: na língua desse povo, é chamado uana (clarineta), e vale notar que a principal festa na qual esse instrumento “fala” é denominada ua-uana; o demiurgo, ou herói civilizador, invocado nessa ocasião tem o nome de Uanadji. Esse uana, entendido em seu sentido mais amplo, seria para os iecuanas a árvore cósmica ou a árvore da vida. Pai de Uanadji, o ancestral mítico e, portanto, pai de todos os iccuanas, cujos clãs de resto, têm, todos, nomes com a terminação uana: Dek-uana, Yek-uana,...







Enfim... Espero que esta simbologia seja suficiente.

O texto acima foi extraído do Dicionário de Símbolos; de Jean Chevalier e Alain Gheerbrant; José Olympio Editora.




Até a próxima.
Com AMOR
Martha Cibelli




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